quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Contos da India:.Sinfonia para a Alma


Era meia noite na margem do rio. 
As estrelas no céu estavam quietas e as que estavam refletidas na água 
mexiam-se suavemente com as ondas. 
Rani acordou repentinamente. 
Sentia-se inquieta, como uma formiga quando sente o cheiro do acúcar. 
No ar, havia uma música, uma música que penetrava o coração e machucava a alma.
Levantou-se e sem que ninguém percebesse, saiu correndo do palácio até o lugar 
de onde a música vinha, mas o rio cortou seu caminho. 
Na margem do rio, olhou ao redor, desesperada e sentindo-se impotente. 
Seus olhos avistaram um bote. Perto dele viu seu dono dormindo.
- Quero cruzar o rio, disse, acordando-o bruscamente.
- A essa hora da noite não é conveniente colocar o bote na água.
- Por favor, implorou ela. - Sinto-me atraída, é algo mais forte que eu, pelo lugar de onde vem esta núsica do outro lado do rio.
- E qual seria a minha recompensa?, perguntou o dono do bote.
- Pegue este colar de pérolas, mas leve-me até o outro lado do rio.
O rosto dele iluminou-se pela cobiça.
- Mas o que eu faria com este colar? Se a minha esposa o usasse os vizinhos teriam muita inveja e a amaldiçoariam ou a acusariam de ladra.
Não, senhora, não o quero.
Rani estava absolutamente desesperada. A melodia parecia aproximar-se, perfurando a sua alma.
- Se me levar até a outra margem, eu lhe darei o meu palácio. Não percamos mais tempo.
- Só uma esquina do palácio acomodaria toda a minha família e, inclusive, sobraria espaço. Como o manteria?
A música aproximava-se cada vez mais. Ela estava hipnotizada.
Sem sequer pensar em sua posição, jogou-se aos pés do homem e levantou-se abruptamente.
A música divina estava tão perto que quase podia tocá-la. 
Estava em êxtase. Sentiu-se como se estivesse flutuando no ar. 
Começou a dançar... Esqueceu-se dela mesma... Esqueceu de tudo...
E, nesse momento, a melodia que havia encantado a sua alma brotou como néctar de seus lábios.
Ela mesma era a fonte da música.
As notas encantadas que vinham do outro lado do rio eram o eco de si mesma.
Seu rosto se iluminou como a lua e seus olhos irradiavam luz.
"O que importa é o que está dentro de você. Não procure em outro lugar."

Um comentário:

Silvia Astróloga disse...

Que texto ótimo! Muitas vezes procuramos tanto fora, quando tudo que precisamos se encontra dentro de nós, não eh mesmo?
Adorei seu blog, muito bom, virei seguidora.
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Luz e amor