sexta-feira, 19 de junho de 2009

A retidão do Caminho e o Dharma


Alguns dias atrás, pedi para meu amigo e professor de Yoga, Helio Penteado que escrevesse um texto para o meu blog. Ele acaba de chegar de Mariscal, aonde completou a formação com Pedro Kupfer e obviamente trouxe muito conhecimento na bagagem de volta. Vamos então refletir sobre o seu texto, que fala sobre a verdade, a nossa verdade mais íntima. É tão importante antes de qualquer coisa, fazer e realmente vivenciar aquilo que se prega. Pense sobre isso, você está vivenciando e praticando aquilo em que acredita? Você pratica TAPAS?


Leia o texto e reflita no final de semana!


Namastê!



Dentro do caminho por mim escolhido, "arjanam" (retidão) se faz essencial em cada atitude.
Sadhana é o caminho da prática e a retidão nesse caminho sustenta a própria prática fazendo-a substrato da filosofia de vida, do meu caminho.

Assim, a retidão deve ser um valor assimilado pela prática pessoal persistente e constante, e não simplesmente difundido ou tagarelado via papagaio. Para assimilar um valor ele deve fazer sentido para mim. Entendendo o porquê da ação e do resultado e adequo a minha conduta ao objetivo final.

A retidão que falo aqui, e como aprendi com Pedro Kupfer significa retidão de conduta, sermos absolutamente responsáveis por nossas palavras e ações. Diz Kupfer que o início desse caminho é exercer controle sobre a palavra emitida e isso extender-se-á a todas as atitudes. Mentir e falsear a verdade por obra do ego é a forma mais descarada de desviar-se do caminho.

"Arjanam" é tal como a flecha de um arco. Intenção, palavra, ação e objetivo final são as partes dessa flecha. Uma vez lançada a palavra não tem volta daí a importância em cuidar da língua.

Não existe atitude humana livre e consciente sem que haja uma intenção por base. A palavra como atitude, é portanto precedida de uma intenção que nasce na mente do Homem. A palavra que segue no Dharma, deve ser clara e verdadeira, com a intenção de ajudar, dita com "mel na língua" de forma que o ouvinte a entenda e lhe seja útil para sua própria felicidade.

Língua solta e falta de educação, por mais verdadeiro que seja o conceito, não é eficaz para ajudar muito menos ensinar. O controle da língua é considerado por muitos o "tapas" mais importante dentro da prática. :O) Quem me conhece sabe que falo de menos e como demais - tenho muito que praticar "tapah" :O) então me pego enfrentando a situação do calar, pois silenciar sobre a verdade é fácil, difícil é dizê-la com "mel na língua".

E, se meu objetivo é a verdade, a verdade última, todos meus atos e palavras devem ser pautados por ela. Se minto ou falto com a verdade, se permito a não verdade acontecer na minha vida ocorre uma cisão dentro de mim.

Sábias palavras ouvi de uma tia minha há anos: ”mentir é fácil, cuidar da mentira é que é difícil”. Nada mais verdadeiro que esse ensinamento. Como se a vida não fosse complicada suficiente, ao mentir preciso lembrar-me do que falei e pra quem falei, preciso ter excelente memória, pois caso contrário entraria em contradição o tempo todo, teria que dividir as pessoas em grupos pequenos para poder controlar as falsidades que perpetrei, enfim, viveria dividido e dividindo.

Mentira é divisão, mesmo as mentiras “sem conseqüências”, ou mentiras "brancas" geram tensão dentro de mim. E mais ainda, mentido eu criaria, como ouvi da professora Glória Arieira, duas pessoas dentro de uma só: o ator e o pensador. De tanto mentir, minha realidade seria dupla, digo que sigo uma rígida dieta ayurvedica, mas tomo no café da manhã pão de queijo e fanta laranja, digo que pratico todo dia antes do nascer do sol , no "brahma muhurta", mas na verdade durmo até o almoço e digo que estava em meditação profunda, kriya espontânea ou outra bobagem. Nada contra fanta laranja e dormir até mais tarde desde que eu assuma tais atitudes.

De tanto faltar com a verdade, criei uma divisão entre aquele que pensa que faz e o que faz realmente. O pensador deve ser o ator da ação, senão eu passo a acreditar na minha própria mentira e cada vez a bola de neve aumenta mais. Portanto, vendo que essa bola de neve surge lá atrás, naquele ponto onde eu faltei com a verdade, que isso se transformará num monstro e me dividirá em duas entidades antagônicas, eu desenvolvo o valor real pela verdade. Isso estrutura toda a minha vida e minha forma de viver e conviver com os outros.

Então a verdade, bem mensurada para melhor ser compreendida, suave e com a intenção de ajudar deve sempre sair da boca do "sadhalka" (buscador) e "Arjanam", um dos seis valores que o sábio Sanatkumara ensina ao Rei Cego Dhritarastra no Épico Mahabharata é uma prática que consiste em cultivar tais valores para ter uma vida feliz, é fazer coincidir nossas intenções, palavras e ações com aquilo que é certo: o dharma, a justiça universal. Como ensina Pedro Kupfer:"Aquilo que penso é aquilo que falo; aquilo que falo é aquilo que faço. Isso é retidão."


~Helio Penteado


** Helio é um excelente professor de Yogaterapia, e trabalha também com quiropraxia e massagens.
O email dele é helio.penteado@gmail.com

2 comentários:

paula disse...

Fefe
vi teus recadinhos,fofa!
tmb estou corrida antes de entrar de ferias, mas vou te enviando as novidades e logo mais em julho marcamos nossos variiiios encontros, porque vamos precisar... o que acha?
vai separando referencias e se quiser ir me mandando, vou adorar!
bjinho e keep in touch
LOVE
Paulinha

Titi disse...

Adorei o texto!
Sadhana Sadhana Sadhana!!!