quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nada Yoga


Hoje tive a oportunidade de fazer uma prática bem diferente de Yoga chamada Nada Yoga. Nada em sânscrito significa som, ou seja a prática do Yoga guiada pelo som, mais precisamente pelos sons pacificadores da Sitar (instrumento de cordas indiano). Ásanas feitos no solo, com foco na respiração e nos sons. O músico Krucis, famoso sitarista embalou todos os alunos numa aula em que o foco era o silêncio. Adorei uma frase que ele disse antes de começar a tocar: "O intuito é achar o silêncio no som e o som no silêncio." Na parte final da nossa prática, fizemos um relaxamento em Savásana prolongado, e a sensação foi de estar num transe de puro Prana. A vibração dos sons reverberavam no centro do meu peito trazendo paz e contentamento. Ao pesquisar sobre essa prática, descobri duas matérias muito interessantes no site do Pedro Kupfer e resolvi colocar aqui alguns trechos:




"Nada Yoga, a via do som divino"
~Júlio Falavigna (Gopala)

O processo do Sádhana (prática espiritual) dentro do Nada Yoga consiste em reconhecer e realizar essa vibração sonora tanto interior quanto exteriormente. Os sons podem ser classificados como Ahat (produzidos exteriormente) ou Anahat (internos), sendo que estes últimos só podem ser percebidos por yogis avançados. Os pré-requisitos essenciais para esse tipo de prática são os mesmos que em qualquer outro ramo do Yoga (Ashtánga Yoga). Ética e moral são os primeiros. Da mesma maneira, é importante possuir domínio da prática de ásanas e pránáyámas (posturas físicas e respirações), pois estes ajudarão muito no processo de concentração interior e meditação.

A música clássica indiana é uma das formas mais eficientes para o aspirante iniciar-se no Nada Yoga, devido a sua natureza essencialmente sáttwica (pura, elevada). Ela é constituída de uma linda variedade de Ragas ou modos melódicos específicos, que produzem efeitos poderosos, tanto no indivíduo como no meio etéreo (Ákásha) que o cerca.




"Nada, a sonoridade interior"
~Pedro Kupfer

"Ao fechar-se os ouvidos com ajuda dos polegares ouve-se o som do espaço que está no interior do coração, cuja aparência assume sete formas: (é como) o som de um rio, de um sino, de uma caixa de cobre, de uma roda de carruagem, o coaxar de uma rã, (como o som) da chuva ou da palavra em um lugar fechado. Após haver ultrapassado este som, que possui diferentes características, vai dissolver-se no Brahman não manifestado (Purusha), o Som supremo.”

~Hatha Yoga Pradípika



É sempre maravilhoso descobrir novos caminhos na prática do Yoga.
Namastê!

3 comentários:

Dee disse...

Came in from Onceuptonateatime.blogpost.com...what a beautiful blog you have! The quotation from the Yoga Hath Pradapika is very moving. Just FYI, the instrument pictured is the Veena, different from the Sitar.
Dee

Fernanda R. Lima disse...

Hi Dee, i´m glad that you liked!
Tks for the information about the instrument, i´ll change the picture ;-)

Fl�vio disse...

Salve Fernanda Lima,

paz e luz! Muuuuito belo esse espaço!!!
Estudo o poder curativo da musica há algum tempo. Passeando pelas tradições e autores, descobri um trabalho incrível de uma brasileira chamada Maúde Salazar. Ela desenvolveu uma coisa que denominou de "Yoga da Voz". Há muitas interfaces com o Nada Yoga mas é diferente, pelo pouco que pude conhecer de ambos. A prática da yoga da voz engloba a vocalização de vogais associada à respiração consciente, à visualização de cores e a mentalização de intenções... vale à pena conferir.
grande abraço!
Namastê